No último dia 26 de janeiro, data em que a Ordem Cisterciense celebram com solenidade a memória de seus Santos Pais Fundadores, os abades Roberto, Alberico e Estêvão, nossa comunidade foi agraciada com a acolhida de quatro noviços cistercienses, um renovo de esperança e vigor vocacional. Em sintonia com o legado de austeridade e busca incessante por Deus deixado pelos primeiros abades de Cister, quatro jovens deram um passo decisivo em sua consagração, sendo oficialmente admitidos ao noviciado.
O rito de admissão, marcado pela nobre simplicidade e pela gravidade próprias da tradição cisterciense, simboliza a transição do período de postulantado para uma etapa de provação mais profunda. Como sinal externo desta transformação interior e da renúncia às vaidades do mundo, quatro homens receberam o hábito e novos nomes, vinculando-se a patronos que servirão de baliza para suas almas:
Darliton Kaique Dias, natural de Santana do Itararé – PR, assumiu o nome de Irmão Bernardo, colocando-se sob a égide do “Doutor Melífluo”, São Bernardo de Claraval, cujas palavras e zelo foram fundamentais para a expansão de nossa Ordem. Mateus Pantoja, natural de Manaus – AM, passa a chamar-se Irmão Rafael, em honra a São Rafael Arnaiz Barón, o jovem oblato trapista que personificou a entrega absoluta na humildade.
A devoção à Virgem Maria, pilar de nossa espiritualidade, foi reafirmada por Gabriel Pereira, natural de Vila Velha – ES, que recebeu o nome de Irmão Mariano, em honra ao Santíssimo Nome de Maria. Por fim, Wanderson Inocêncio Fontes, natural de Araguaçu – TO, iniciou sua jornada como Irmão João Evangelista, buscando a proteção do Discípulo Amado, modelo de contemplação e fidelidade mística ao Verbo Encarnado.
O Itinerário da Vocação e a Disciplina da Prova
Após um ano de experiência interna, período em que o silêncio e o ritmo do Ora et Labora serviram régua ao discernimento, esses irmãos confirmaram a solidez de seu chamado. O Noviciado, que agora se inicia, terá duração de dois anos; trata-se de um tempo de “prova”, como prescreve a Regra de São Bento, dedicado ao estudo rigoroso, ao aprofundamento litúrgico e ao teste sincero das virtudes, preparando-os para a futura profissão temporária dos votos monásticos.
A escolha da data de ingresso não é um mero adereço litúrgico; é um compromisso de honra com a tradição de Cister. Ao abraçarem a vida comum, neste dia tão caro a todos nós cistercienses, estes jovens buscam viver as promessas do Batismo em sua última radicalidade. O monge, na realidade, não cria um novo caminho, mas decide levar a graça batismal à plenitude, mediante o despojamento do mundo e a busca pela pureza de coração, através da vivência cotidiana da Regra de São Bento.
Exortamos a todos os fiéis e amigos de nossa comunidade monástica que se unam a nós em oração. Rogamos ao bom Deus que, tendo iniciado neles esta boa obra, sustente-os com Sua graça e lhes conceda a constância necessária para que o caminho abraçado com liberdade floresça em santidade, para a glória de Deus e o bem de nossa comunidade.
















